19 de abril de 2016

Mas você faz boneca pra quem, então?

Esse post é um misto de informativo e desabafo. Ultimamente eu não tenho curtido fazer publicações muito dramáticas (ou nenhuma publicação, né? hehe), porque ao longo desses quase oito - sim, OITO - anos de hobby, minha paciência se esgotou para muitas coisas. Não apenas dentro do mundo das bonecas e das coleções, mas na vida, em geral. Nos últimos anos eu ganhei e perdi muitas amizades, me tornei mãe, aprendi a selecionar com mais cautela as coisas nas quais quero envolver meu tempo e disposição. Realmente não tenho mais paciência para me envolver em problemas relacionados ao hobby.

Mas, depois de uns três anos (nossa, estou batendo recordes aqui hoje) sem abrir abertamente minha lista de encomendas, resolvi dar alguns esclarecimentos aqui.

Para começar, eu gostaria de dizer que: eu abri a lista por vocês, não por mim. Para mim é muito mais fácil ficar fazendo bonecas apenas para quem eu já conheço, de forma privada. Demanda eu sempre tive. Mas eu percebi que estava tendo muita procura por causa da página no Facebook, então pensei que não faria mal abrir algumas vagas, até porque eu estava com saudades de fazer projetos novos e trabalhar com gente diferente.

Só que, o que parece ter incomodado algumas pessoas, é que eu acabei dispensando alguns trabalhos, mesmo tendo aberto essa nova lista. E por que eu fiz isso? Simples: eu ainda tenho mais procura do que oferta, por isso, obviamente eu ainda vou acabar tendo que escolher, mesmo que de maneira menos seletiva, as pessoas com quem irei trabalhar.

E como eu resolvo que "essa pessoa eu vou por na lista, essa não"? Vou tentar explicar para vocês os critérios que usei. Ninguém é obrigado a concordar com eles, mas estou expondo para que vocês possam (tentar) entender a minha lógica.

1. A pessoa gostar DO MEU trabalho

Olha, nada contra me basear em trabalhos de outros artistas que personalizam bonecas. Lógico que eu uso muitas referências e adoro ver as bonecas de outras pessoas. Mas eu prefiro muito mais os clientes que me dão liberdade de criar no MEU ESTILO, sem ficar presa a uma coisa feita por terceiros que eu nem sei se consigo reproduzir. Muitas vezes eu não consigo nem mesmo copiar algo que eu mesma fiz. Cada boneca é única, embora todas tenham meu jeito próprio de esculpir.

Então se a pessoa já chega pra mim querendo uma réplica do carved ou da make de alguém, eu já penso duas vezes ao pegar o trabalho. Até porque, seu eu soubesse replicar boneca gringa, tava vendendo só em dólar. rs

Sempre preciso explicar que meu estilo é diferente, que posso não conseguir replicar cores (como saber o que outro artista usou pra pintar?), que eu não tenho como reproduzir um desenho cheio de detalhes numa pálpebra minúscula, etc.

Por isso, referências são sempre bem vindas, mas o cliente tem que saber que aquilo é apenas uma base e que o resultado vai depender das minhas habilidades.

2. A pessoa ter um projeto que me agrada

Obviamente, eu prefiro pegar projetos de bonecas que me inspiram ou que encaixem no meu estilo. Projetos nos quais eu possa ser criativa, que eu possa ousar um pouco mais no carved, usar algum material ou cor que nunca tive oportunidade. AMO poder criar sem medo da pessoa não gostar do resultado (seguindo as recomendações do cliente, sempre).

Agora, fazer recustom cheia de restrições, remoção de make complicadas (verniz que não sai), reparos chatos, tudo isso acaba me desanimando e muitas vezes prefiro não pegar o trabalho.

3. A pessoa precisa saber o que quer (e, principalmente o que NÃO quer)

Olha, não tem coisa mais chata do que cliente que muda de opinião o tempo todo. E pior, muda de opinião no meio do processo! Isso é motivo para eu nunca mais trabalhar com a pessoa, sério.

Outra coisa: eu não acredito em "te dou liberdade total". Todas as vezes que um cliente me disse isso, precisei alterar alguma coisa. TO-DAS as vezes.

Eu sinceramente acho mais importante a pessoa ser explícita no que ela NÃO GOSTA. Porque sempre tem aquele detalhinho que vai te incomodar, mesmo que você goste de todo o resto. Aquele brilho, aquela pinta, aquela covinha no queixo. E mudar depois de pronto pode significar refazer uma make inteirinha.

Por isso eu adoro quem já tem um conceito definido para a boneca, mesmo que não saiba detalhes específicos, como cores. É muito mais fácil definir o que fazer quando o cliente sabe a personalidade que quer dar para a doll.

4. O jeito que a pessoa me escreveu

A maneira com que você me trata nas suas mensagens é decisiva para que eu te responda de forma positiva. Já aceitei fazer boneca só porque a pessoa foi muito fofa comigo. haha

Eu respondo todos que me escrevem (a não ser que você seja muito desrespeitoso, aí eu só te ignoro ou te bloqueio), mas gente legal acaba recebendo mais atenção da minha parte, isso é um fato.

5. Sua reputação no hobby

Me reservo no direito de não trabalhar com gente que é conhecida nos grupos do hobby por transações problemáticas ou por entrarem em conflito facilmente com outros vendedores e prestadores de serviço (customizadores, costureiras, etc.).

Não estou falando de casos isolados e sim de várias reclamações, embora existam alguns casos isolados bem ruins e eles sozinhos já bastarem para eu negar um trabalho.


6. Se você tem contatos com alguém que eu já conheça

"Ah, mas isso é panelinha", irão alguns. Amigos, não estamos na quinta série, né?
Todo hobby é baseado em amizade e confiança, então é normal que as pessoas indiquem conhecidos quando gostam dos seus serviços ou produtos. E eu prefiro trabalhar para alguém que tenha feedback positivo no meio do que encher minha lista com completos estranhos. Isso não me impede de trabalhar para quem eu não conheça, claro. Como vocês devem ter notado, esse não é o único fator em jogo.

7. Não trabalho para menores de idade 

Acho que isso também é meio óbvio. Se a pessoa depende de terceiros para efetuar envios e pagamentos, infelizmente, não posso pegar o trabalho. Caso você seja menor de idade e queira encomendar uma boneca, é necessário autorização dos pais, ou peça para que eles entrem em contato comigo para as transações financeiras.

8. Não sou obrigada a nada

Para finalizar, eu vou ser bem clara... se eu disse que NÃO VOU fazer aquele tipo de trabalho, favor não insistir. Ficar batendo na mesma tecla só vai me fazer tomar antipatia.

Já neguei trabalhos para algumas pessoas e depois aceitei outros. E vice versa. Tudo depende do momento em que estou. Mas me tratar mal, me difamar nas redes sociais ou destratar meus amigos não vai fazer eu milagrosamente aceitar trabalhar para você.

Minha vida não gira em torno de fazer bonecas. Eu sou esposa, mãe, designer. E sou uma só. Eu nunca vou aceitar mais trabalho do que dou conta.

Nenhum comentário:

Postar um comentário